domingo, 1 de agosto de 2010

inchocável?

     Vivemos em uma sociedade saturada. Saturada de referências, entupida de todo tipo de criação imaginável. Dessa forma, toda criação se torna obsoleta no momento que perde seu valor de singularidade. Nada mais é único, tudo já foi feito e refeito milhões de vezes, nada soa novo. Estamos na constante reprodução e reconfiguração das mesmas milhões de coisas já criadas. É o que dá a impressão pelo menos. E parece também que tudo virou produto. Tudo é descartável porque virou produto, foi transformado em produto pelo mainstream. Tudo foi e é incorporado ao sistema, se tornando mecanismo de lucro. Tudo é comprável e nada ameaça a ordem, só continua contribuindo para a lógica do consumo a que estamos submetidos.
     Aquilo que surgiu como manifestação artistica ou subversiva ou política ou de qualquer outra natureza vira um commodity. Aquilo perde seu sentido original e só o mantém simbolicamente, passando a ser algo que gera capital. É atrativo pelo que representa simbolicamente, pelo seu significado perdido que teoricamente se mantém, porque se mantém no imaginário, como uma idéia vendável. Atitudes e formas de pensar são consumíveis, são compradas apenas em imagem e quem compra fica com a imagem que está tomando atitude - só com a imagem e sem atitude alguma. A pessoa fica com a imagem de que está sendo crítico ou rebelde, quando na verdade supre o sistema comprando pra si a falsa imagem de que é crítico ou rebelde. Ser contra o sistema já se incorporou ao sistema.
     Elvis costumava chocar e quebrar padrões. O punk chacoalhou o estabilishment de jeito. Hoje os dois alimentam o sistema. Os sentidos são perdidos e tudo é banalizado. Nada mais choca, porque tudo virou produto inofensivo. Aquilo que gerava estranhamento não mais o gera. O estranhamento deixa de estranhar e passa a vender como algo que estranha - só que não estranha mais. E essa constante coisificação gera medo. O medo de que o sistema se torne inquebrável, pois tudo que vem contra ele ele tira o sentido original e incorpora como produto vendável. Há também o medo trazido por essa constante perda de sentido. Deixamos de pensar para apenas consumir. Com isso só cresce o vazio gerado pelos produtos sem sentido. Nossa identidade e o significado que tinha nossa cultura parecem se perder ao serem substituidos por uma cultura de consumo do oco de significado. Nós acabamos se perdendo também. Ficamos sem base alguma aonde se suportar, sem sentido para si e para a vida. Sem sentido e presos em um sistema indestrutível. É para aí que parece que estamos caminhando.
     Parece que nada mais choca o sistema, nada mais consegue criticar e apontar os problemas. As várias formas de crítica também já se incorporaram e perderam sua força. Novas formas poderão ser criadas ou todas já foram criadas? E, se criadas, essas novas formas também não se incorporarão? É algo para se pensar.
     Para onde estamos caminhando? Banalização generalizada? Um vazio angustiante? Há como mudar essa direção? Há como criar novas formas de choque ou reciclar as antigas? O que ainda tem sentido hoje? O que tem sentido pra você?

uma ação

     Fiquei um bom tempo sem postar. Não foi porque eu tava sem tempo. Não sei bem porque foi. Não sei se foi porque não havia sobre o que escrever. Não sei se porque cheguei em um ponto em que não via mais sentido em escrever, em que parecia que tudo já havia sido dito. Mas a verdade é que tudo nunca será dito. Há sempre algo para dizer. Porque nada é simples. O mundo é complexo e dinâmico, em constante mutação de sua imperfeição. Há o que escrever. Mas há motivo para fazê-lo? Cada ação faz uma diferença. Se ninguém tomasse iniciativa, nada aconteceria. Não importa o que seja, devemos fazer. Porque nós somos capazes de modificar e alterar as coisas, basta fazermos algo para tanto. Algo simples como escrever o que passa na nossa mente e criticar o que vê de errado, tentando entender. Por isso hoje estou postando. Porque quero fazer essa diferença.  Devemos buscar fazê-la de alguma forma. Com qualquer ação. É bom em algo? Vai lá e faz. Você pode não enxergar a diferença que está fazendo. Ela a maioria das vezes é invisível ou às vezes visível mas tão insignificante que parece não importar, mas ela existe e ela importa. Pode ser só a longo prazo ou somada com muitas outras ações. Geralmente a soma de pequenas ações é que faz aquela diferença significativa. E essa diferença só existiu porque houveram as pequenas ações que se somaram. A pequena ação sozinha parecia impotente, inofensiva. Porém, ela se uniu às muitas outras e realmente mudou algo. Quem as fez não viu isso e não tinha como prever essa soma, mas essas pessoas acreditaram que de alguma forma sua ação pequeninina alteraria algo. É preciso acreditar em si. Acreditar em si e nos outros. Tem muita gente querendo fazer algo realmente bom pro mundo. Seja uma dessas pessoas. Faça o que você faz de melhor no sentido de melhorar o mundo em qualquer escala que seja. Quanto mais ações melhor. Se você não fizer, ninguém fará por você. DIY.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Welcome to 1984: a mídia e as redes sociais

    1984 é um livro genial! Li ele há alguns anos atrás e, quanto mais reflito sobre a sociedade que vivemos, mais enxergo as palavras de Orwell. O cara foi um profeta e, se o mundo não está tão errado agora quanto ele previu é porque ele foi um dos que alertou sobre o futuro e incentivou iniciativas de contrapartida. A realidade do livro é uma realidade de pessoas alienadas e sob eterna vigília, cultuando a imagem do homem que governa o mundo: o famoso Grande Irmão - muito popularizado pelo programa de tv Big Brother (muito alienante rss). A história e os fatos cotidianos são totalmente e deliberadamente deformados, mudados e refeitos para depois irem para os ouvidos do povo pelas tele-telas, espécies de tvs que também filmam e encontram-se nas casas de todo mundo e espalhadas pelas ruas. Não vou contar muito mais, mas só tenho a dizer que a lavagem cerebral feita no livro é insana e recomendo que todo mundo leia! É um livro de ficção pra se ler antes de morrer e de uma sagacidade inquestionável!
     Monitorados e alienados por mentiras dadas como verdades, sujeitos a trabalhos dos quais desconhecem a utilidade, a privacidade e a liberdade inexiste no livro. No mundo atual, como já cansei de falar, somos alienados pela grande mídia, que passam os fatos de forma parcial e tendenciosa sem dar espaço para reflexão. Absorvemos programas de tv, rádio, noticias dos diversos meios - até do mainstream dentro da internet, que se sobressae em relação às fontes independentes, pouco consultadas pela maioria - vazios de significado e conservam nossa mentalidade consumista e escondem o cruel sistema ao qual estamos sujeitos. A informação é monopolizada e nos vendem um ponto de vista único como verdade absoluta. Dessa forma, assim como no livro de George Orwell, somos alienados da realidade e seguimos alimentando um sistema que desconhecemos e suprindo os desejos da minoria e  o sofrimento de uma maioria. O comportamento é padronizado, nossa liberdade de pensar é cortada pelos meios de comunicação de grande porte - e quem não pensa não consegue expressar opinião, visão de mundo própria. Viramos alienados como no livro. Até aí, Orwell acertou na mosca. Mas quanto a sermos vigiados o tempo inteiro? As pessoas no livro 1984 têm suas vidas pessoais expostas. Nós não temos câmeras em casa, não somos então teiricamente vigiados pelos que estão no poder. Claro, há um certo controle de nossas ações pelo governo - como quando saímos do país ou quando somos presos por cometer ilegalidades - e por empresas - como transações de contas em banco. Mas no livro absolotamente tudo que a pessoa fazia estava exposto. Até outro dia eu acreditava que com a nossa sociedade isso era diferente. Isso foi até outro dia.
       O Facebook já provou o contrário. Estamos compartilhando nossas vidas pela internet. Expontaneamente, expomos todo dia nossa localização, nossos gostos, nossas atividades, nossos amigos, nosso cotidiano em fotos e textos para qualquer um ver. Disponibilizamos em escala global o que é pessoal e íntimo . O monitoramento e o controle das pessoas pelo governo, pelas grandes empresas fica muito fácil. A alienação e a lavagem cerebral se tornam muito mais eficientes quando se conhece a fundo o alvo a ser manipulado. As redes sociais mostram uma função extremamente negativa: nos colocar sob vigilância. Somos facilmente transformados em gráficos e estatísticas, que permitem a quem desejar nos atingir nos nossos pontos fracos. Toda essa informação antigamente privada passa a ser veículada mundialmente e pode ser usada para os mais variados fins. Que tele-tela que nada. Nós mesmos estamos nos colocando sob monitoramento. Tweetamos cada passo nosso porque isso se tornou "moda" e é como se cada passo nosso estivesse sendo filmado. Liberdade é escravidão.

O video a seguir é a primeira parte de uma música do Anti-Flag chamada "Welcome to 1984", que aborda a guerra com enfoque no imperialismo norte-americano. No livro 1984, a guerra é bem interessante, ela é passada como necessária para o povo quando na verdade é simplesmente lucrativa e por isso infinita - não há real conflito ideológico. Se assemelha bastante às guerras atuais travadas pelos EUA, como abordei no post "a guerra e o dinheiro". E é essa a crítica da banda. Escutem!
     


       É, dá pra ver que, mais que nunca, estamos vivendo o futuro proposto pelo livro. Ter consciência disso é um primeiro passo para driblar a alienação e a mentalidade materialista incrustrada. Revolucione-se para revolucionar o mundo! Vivemos sob controle e a reflexão é o caminho para se libertar. A reflexão e a ação. Mas, por ora...Welcome to 1984.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Criatividade, ativismo & internet

      Já defini aqui no blog que acredito no espirito DIY (Do It Yourself - Faça Você Mesmo) como o grande mecanismo modificador e revolucionador da realidade. Iniciativas de pessoas que querem um mundo melhor são o caminho para um mundo melhor. Só nós podemos mudar o mundo, porque o mundo é movido pelas pessoas e ninguém mais. E a forma mais eficaz de se mudar o mundo é pensando fora dos padrões - questionando e inovando - e mobilizando as pessoas. Sair da caixa é o primeiro passo, perceber um outro mundo possível, uma outra forma de pensamento e organização - e buscar caminhos para alcançá-la. Cada pessoa têm capacidade de intervir e influenciar no caminho que a sociedade segue, somos todos integrantes ativos e pensantes dela. E é na união das pessoas que se têm uma influência realmente significativa a ponto de enfrentar o estabilishment e bater de frente com o que hoje é status quo.
      Não é uma tarefa fácil. Longe disso, é um processo complexo, que requer dedicação e, antes de tudo, coragem e criatividade. Mas diante de um mundo tão errado, nada mais certo que tentar mudá-lo - fazê-lo menos errado. Iniciativas desse calibre já existem e pego como exemplo aqui o Punkvoter. É um exemplo que acabou falhando no seu objetivo principal, mas que eu acho uma iniciativa bastante interessante e um ótimo modelo de mobilização. Fat Mike Burkett, vocalista do NOFX [que eu vi ao vivo no show deles março! aee rs] e ativista, foi o responsável por moblizar uma quantidade gigante de jovens relacionados de alguma maneira com o movimento punk - desde bandas independentes até bandas de grandes gravadoras - para votar contra George W. Bush nas eleições de 2004. Recrutou todos que conseguiu das mais diferentes vertentes de punk rock e conseguiu mais de 100 mil jovens inscritos no grupo. E não foi apenas um grupo para derrotar Bush que foi criado, mas uma forma de inclusão social educadora e incentivadora de jovens politicamente ativos - preocupados com o futuro do país.
    Infelizmente, Bush ganhou a eleição. Apesar do gigantesco movimento no qual se tornou o Punkvoter, não foi suficiente para vencer a eleição. Mas iniciativas como essas são essenciais porque sem elas as chances de se vencer Bush iam ser ainda menores, quase nulas, e a Punkvoter foi eficiente no sentido de educar e incluir jovens, como falei antes - que já é um ponto essencial para uma real mudança. Istoé, pode não ter derrotado Bush, mas fez muito pela sociedade mesmo assim - abrir a mente das pessoas já é um grande passo. Quaisquer que sejam, iniciativas positivas são essenciais! Agora, por que Bush não foi derrotado? Na minha opinião, foi porque, apesar da beleza da iniciativa, o Punkvoter foi muito limitado, abrangeu apenas um campo limitado de gente - só os dentro de alguma forma do movimento punk. Essa limitação não é culpa de Mike ou de ninguém, mas é apenas consequência de viver na sociedade que a gente vive. Mike tentou alcançar o mais amplo campo de pessoas possível, mas não foi suficiente, porque a sociedade está fragmentada em grupos com diferentes interesses que não se relacionam entre si. Mike já quebrou milhares de barreiras - pois o próprio movimento punk é super dividido. E ainda mais e mais e mais barreiras precisam ser quebradas para se alcançar um coletivo realmente unido e disposto a mudar a realidade. Uma tarefa monstruosa.
     Como quebrar tantas barreiras? Aí entra a criatividade de novo. Como unir as pessoas? É necessário encontrar um objetivo em comum, um fim que todos almejem. O mundo melhor seria um fim que a maioria almeja, se tirarmos dela as vendas colocadas pela mídia. Mas.... mundo melhor? Que conceito mais abstrato! O que exatamente é isso? As pessoas enxergam realmente o que há de errado com o mundo? Necessitamos perceber que tudo está interligado, que todos os problemas têm um único motivo: o sistema desigual e materialista em que vivemos. Cada grupo tem seus problemas e todos esses problemas são fruto da lógica que rege o mundo hoje. Percebendo isso, temos um fim comum. Todos querem acabar com seus problemas, logo todos querem a mesma coisa: quebrar com essa lógica injusta.
     Para Noam Chomsky, o ativismo é o caminho para ligar os pontos e perceber que tudo é fruto de uma única lógica."Se você voltar aos anos 60, os movimentos dos Direitos Civis e da Guerra do Vietnã começaram de maneira muito focada. 'Deveria ser permitido que negros pudessem andar de ônibus' e 'Nós não devemos mandar tropas para o Vietnã'. Essas são questões específicas muito estreitas - ainda que muito importantes. Mas dentro de alguns anos, se tornou um esforço para ganhar um entedimento crítico da maneira como todo o sistema econômico internacional e o sistema internos nos Estados Unidos funcionavam", disse Chomsky em entrevista à Punk Planet em 2000. Vemos claro aí que, na visão dele, primeiro as pessoas percebem os problemas e exigem sua solução, para depois entender que todos os problemas são fruto de como roda o sistema e daí surgir os gigantescos movimentos que realmente mudarão eficientemente a realidade, como foram os dois movimentos citados por Chomsky.

     Uma importante ferramenta de integração das pessoas que vejo hoje é a internet. A internet virou um espaço ideal para a manifestação livre de idéias e também para a discussão. Existem já vários blogs independentes, canais de videos no You Tube e comunidades virtuais. Os blogs são essenciais para que cada um possa expor sua visão de mundo e podem ser usados na contramão da ação da grande mídia, que tende a alienar as pessoas. A internet traz as visões mais diferenciadas e uma grande variedade de pontos de vista, já que qualquer um pode passar informação por ela, diferentemente das mídias tradicionais, monopolizadas por uma minoria. As comunidades virtuais são outra ferramenta vital, pois não há apenas a exposição de idéias, como a contraposição de pontos de vista - a discussão. Troca de idéias e argumentação coletiva. Temos pessoas das várias partes do mundo conectadas. Já existem fóruns de discussão sobre os mais diversos temas e assuntos. Segundo Pierre Lévy, por meio dessas comunidades caminhamos para uma Inteligência Coletiva:

     Isso tudo posto, tudo que me resta dizer é que as iniciativas de mobilização coletiva são um caminho mais do que válido para buscar um mundo melhor. Pense e faça os outros pensarem. Questione e faça os outros questionarem. Seja criativo. DIY now.

domingo, 2 de maio de 2010

incomunicação

    Atualmente, se acredita que a tecnologia proporcionou e irá mais ainda proporcionar ao homem uma comunicação mais eficiente. Interligando-se todo o mundo em tempo real, a informação já roda a uma velocidade inalcançável por todo o globo. Recebemos noticias dos lugares mais longínquos. Isso é realmente incrível e quebra fronteiras antes consideradas inquebráveis. Isso tudo é fato, mas isso tudo quer realmente dizer que a comunicação ficou mais eficiente?
    Vivemos a era da adoração a tudo que é tecnológico, de última geração. E nesse contexto, diversas teorias sobre a troca do real pelo virtual já foram criadas. Vende-se por aí que funções que emergem na internet um dia substituirão seu equivalente no mundo real. Isso é completamente mentira. Nunca que o virtual substituirá o real. O mundo real é o mundo em que vivemos, no espaço e tempo no qual estamos inseridos e são próprios do ser humano. O real é o mundo de verdade, o virtual é apenas um reflexo de um reflexo de um reflexo distorcido do que vivemos, com tempo e espaço intangíveis por nós.
     Por mais que interligue o mundo, não significa que a comunicação pela internet seja eficiente. Ela passa informação eficientemente sim, mas o conteúdo por ela passado permite uma comunicação muito mais ineficiente do que a realizada por duas ou mais pessoas em um quarto, por exemplo. No momento em que temos duas pessoas presentes no mesmo espaço é que é possível realmente uma comunicação de profunda complexidade e imenso resultado na criação de entendimento, compreensão e vínculos. O  imediatismo e minimalismo nos dados que viajam pela rede é gigantesco e isso gera facilmente a falha de comunicação ou, no pior dos casos, a falta total dela - a incomunicação. Muita informação roda, mas ela é toda passada por textos escritos, imagens, gravações de sons e videos - que são registros já subjetivos da realidade, que serão interpretados também subjetivamente. Isso posssibilita facilmente a má interpretação e o entendimento errôneo do que está sendo comunicado.
      Só na realidade é que o homem consegue atingir o maior grau de eficiência na comunicação, e, mesmo assim, várias barreiras de caráter subjetivo costumam entrar no caminho. No real se tem o máximo de qualidade de comunicação, só nele as pessoas se conhecem e criam vínculos. O corpo como um todo comunica - expressões faciais e corporais podem comunicar mais do que mil palavras ou 20.000 tweets (risos). Sentimentos e emoções só são realmente compartilhados no espaço real, pelo conjunto de sentidos que possuimos: audição, tato, olfato, paladar e visão. Além disso, só se enxerga e descobre a realidade estando nela, pois qualquer outra fonte já terá o ponto de vista de um terceiro envolvido, impedindo que você interprete o real por si mesmo e fazendo com que você enxergue a sua visão da visão que outra pessoa tem da realidade.
      A verdade é que o real é insubstituível. Trocá-lo pela internet é um erro tremendo, que estamos gradativamente cada vez mais cometendo. O tempo que se desperdiça hoje em redes sociais enquanto se poderia estar lá fora curtindo a vida real, conhecendo e se relacionando de verdade com outras pessoas só cresce. Você não conhece nem um milionésimo do que uma pessoa é apenas olhando um profile. A ineficiência comunicacional da mídia tecnológica é incalculável. Comunicar de verdade é mais do que apenas passar uma mensagem. É permitir que o outro te compreenda e conseguir compreender o outro. Nesse momento, criam-se laços reais e significativos.
      Por isso, precisamos evitar gastar horas do nosso dia no computador ou com qualquer outro meio eletrônico, como TV, rádio, etc. Devemos viver a realidade e a descobrir por nós mesmos. É muito fácil ser alienado quando você transforma a rede na sua principal fonte de informação, pois ela já é um registro subjetivo do real que irá, intencionalmente ou não, distorcer imensamente os fatos. Precisamos criar consciência disso e sair da fantasia de que a tecnologia é maravilhosa e perfeita. Comunicar-se com eficiência já é bastante difícil no mundo 3D, na web então...

quinta-feira, 22 de abril de 2010

nada x tudo

    Hoje vou falar de tudo e de nada ao mesmo tempo. Acho que vou falar de tudo porque é uma grande façanha conseguir abranger a existência por completa em um post de blog! E acho que não vou falar de nada porque, bom... dá muito trabalho e é muito cansativo falar sobre alguma coisa, qualquer que seja. É nessa contradição sim que começo meu post, porque é nessa contradição que a sociedade vive hoje. Uma sociedade em que tudo é nada e nada é tudo.
   Bom, para explicar um pouco melhor do que estou falando, pego uma frase muito recorrente nos dias de hoje e uma verdade inquestionável: "Tudo em excesso faz mal". Seu médico já deve ter te dito isso ou você ouviu na TV. O caminho para uma vida saudável é a moderação. O segredo para o equilibrio em tudo é a moderação. Por isso hoje vivemos na era da desigualdade, porque hoje vivemos na era dos excessos.
    É só andar nas ruas para ver o excesso. O excesso impregna a sociedade máléficamente. Vemos propagandas em excesso, produtos em excesso, imagens em excesso, padrões estéticos, de comportamento e consumo nos bombardeiando intensivamente e excessivamente. É vendido para nós que o caminho para a felicidade é o trabalho e o consumo em excesso. E é aí que a desigualdade se dá: na busca do homem pelo excesso de commodities, logo de dinheiro.
     O excesso constitui no extremo. E viver em um extremo leva ao desequilibrio. A sociedade está material ao extremo. Temos milhares e milhares de produtos para serem consumidos e as pessoas fazem de tudo para tê-los. Cada vez mais coisa é fabricada, mais é consumido, se vê de tudo por aí para comprar. Tudo, tudo. É só procurar que você achará tudo em termos materiais. E o homem quer tudo hoje, quer ostentar todo tipo de coisa para sentir que tem poder, que está completo e com isso, encontrar a felicidade. Quem tem tudo, é feliz - esse é o discurso.
      Mas será que é verdade? Quem consegue comprar tudo é feliz? Ter tudo é o caminho ou isso é só um discurso construido? Pense bem, quem tudo tem o quê? O que realmente importa na vida? Coisas, bens commodities, produtos? É isso? Isso completa o individuo? Isso basta? Os outros individuos então não servem de nada senão de meras alavancas para que se alcançe esse poder aquisitivo e aí seja feliz?
      É isso que nos é vendido como verdade hoje. Que o dinheiro pode comprar tudo, e que isso traz felicidade. Mas esse tudo que o dinheiro pode te comprar na verdade não é nada. Quem tem tudo nesse caso não têm nada. É o excesso que gera a falta - sempre vai se querer mais e nunca será suficiente, e mesmo que desse pra se alcançar tudo... than what? A real é que todos esses produtos não têm profundidade alguma, são objetos inanimados sem emoções, sem vida. Uma vida completada por coisas materiais é uma vida incompleta, completada por nada mais que nada. Fica um vazio, não há um significado, uma alma em tudo isso. E, muitas vezes, quem não têm nada dessas coisas, não possui nada, nenhuma posse, é quem tem realmente tudo. Porque ele deve ter pessoas que gostam dele, amam ele e as quais ele ama e gosta também, se relacionando e criando laços, tendo momentos significativos; e/ou algo que ele faça e se sinta realizado, algo com que ele se descubra e se supere, criando, descobrindo e aprendendo a lidar... ou seja, coisas que realmente importam, independente de trazerem dinheiro ou não. Dinheiro é essencial para a sobrevivência, mas sobreviver é o mínimo, não significa que a pessoa seja feliz só por isso.
     A fórmula para a felicidade não existe, mas comprar bens materiais em excesso com certeza é que não é. Nada é tudo.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

McLaren, a mente por trás do punk

    No último post falei um pouco do que foi o punk. Coincidentemente, morreu semana passada o responsável pelo punk ter sido o que foi: Malcolm McLaren, o empresário dos Sex Pistols. Não sei se posso chamá-lo de gênio, porque não sei se ele imaginava a genialidade de sua jogada. Só sei que, apesar de eu vir culpando a ganância e a mentalidade materialista pelos problemas mundiais, esse é um exemplo em que a ambição de um homem chacoalhou o mundo com tudo, colocando todas as questões na mesa e instaurando a revolta mundo à fora.
     O movimento punk não começou na Inglaterra, ele já engatinhava anos antes nos Estados Unidos. As primeiras bandas que deram início a uma movimentação inicial na contramão do que vinha sendo feito estavam em Nova York na metade dos anos 70. A mais importante delas, como todos sabem, foi o Ramones - pais do punk. Nesse contexto, bandas cruas, minimalistas e - em alguns casos - agressivas e rebeldes surgiam fazendo o som como bem entendiam. O DIY ( Do it Yourself - Faça Você Mesmo) se impregnava, à medida que jovens desiludidos com a sociedade e a industrialização e profissionalização do rock criavam suas próprias bandas. Começava aí as, até hoje referência, músicas de 3 acordes apenas. McLaren, inglês viajando pelos EUA, observou esse fenômeno que acontecia e viu nele uma oportunidade de fazer muito dinheiro. Ele entendeu o que estava acontecendo, viu o que a juventude queria e precisava.
     De volta à Inglaterra, ele criou sua própria banda, seguindo o que rolava nos EUA. Juntou quatro moleques - um dos quais seria depois substituido pela polêmica lenda e ícone punk Sid Viscious - e montou o mito: os Sex Pistols. Levando a rebeldia, o som cru e simples, a agressividade e o DIY ao level máximo, a banda foi criada sem preocupação musical nenhuma, mas de olho na atitude, no questionar e causar acima de tudo. Foram a banda mais anarquista até então e ditaram para o mundo o que era ser punk, incorporando em si a revolta da juventude da época e disseminando seu estilo, música e atitude por todo o mundo. Suas roupas foram criadas por Vivenne Westwood - consagrada até hoje como estilista púnk - na época casada com McLaren. McLaren conseguiu toda a grana que queria, atingiu seu objetivo, mas ele fez muito mais que isso. Sua ambição capitalista o levou a criar um movimento subversivo caótico anti-capitalista e anárquico.
     A repercussão foi de proporções enormes, globais. Tocar três acordes, xingar o sistema, a rainha, dizer que não havia futuro, que fomos transformados em idiotas, cuspir na platéia, pixar as paredes usando roupas largadas, rasgadas e  sujas com elementos sadomasoquistas - espetos, couro e correntes - era o que o mundo plastificado industralizado precisava, uma oposição extrema ao que estava presente! Os Pistols personificaram o sentimento geral. Sem McLaren, o movimento não teria sido grande como foi, o punk inglês surgiu daí. Um imenso cenário de bandas punk surgiu então, entre elas o The Clash, outra influência inquestionável. E nesse caldeirão foi que o punk se consolidou como movimento de contracultura, tendo todo um conjunto de ideais criados a partir daquilo já estabelecido como a cara do punk por Johnny Rotten (vocal dos Sex Pistols) e seus colegas.



  

      É engraçado que buscando enriquecer enormemente como manda a lógica do capitalismo, McLaren tenha criado um grande grito de revolta e crítica a essa mesma lógica. Não tem jeito, o que o povo quer é o que dá dinheiro e se o povo compra a revolução, a revolução é que dará dinheiro, mesmo que ela consista em questionar toda a lógica do dinheiro acima de tudo e desmantelar dogmas da mentalidade do "ter". Mas em um mundo em que os mais diversos agentes atuam, cada um em sua direção no salve-se quem puder que é essa loucura do capitalismo selvagem desigual, os mais diversos resultados e reações advesas acabam por se desencadear. No meio disso, nasce o punk. No meio disso, nasce as mais diversas manifestações culturais, mas também surgem os mais teriiveis métodos de manipulação e alienação da população. Ninguém tem o controle enquanto seguirmos individualistas, cada um por si. Uns tentando dominar aos outros e, no final das contas, uma minima minoria é quem se beneficia apenas. É só ver que o punk acabou incorporado ao sistema, deixando de ser um questionamento ao mesmo para virar um mero commodity.
     Entre as forças atuando nas mais diversas direções, as com mais capital acabam vencendo e encaminhando para seu lado. Por isso o sistema não muda, mesmo com manifestações como as do punk. A única forma dos com menos dinheiro, a maioria, conseguir buscar um equilibrio, direcionar para seu lado as ações e reações é se houver uma união. Se todos atuarem juntos na mesma direção, serão mais fortes que aqueles que detém o poder aquisitivo hoje. É óbvio, a união faz a força, a maioria junta tem o poder de mudar. Mas mesmo sendo óbvio, parece que ninguém enxerga isso hoje. Seguimos no individualismo, na mentalidade do "ter" e do "garantir o seu". É hora de mudar a mentalidade, para fazer um movimento que realmente mude o mundo por completo. É levar o que o punk foi para um outro nível.

domingo, 4 de abril de 2010

DIY - a filosofia punk na reversão do sistema atual


     Já falei por aqui que a mídia mainstream, aquela à qual a maioria das pessoas têm acesso, é dominada pelas grandes empresas e que a união da indústria de bens de consumo e da indústria do entretenimento é o que leva à produção e proliferação de material alienante, que  ocupa o tempo de possível reflexão da pessoa com entretenimento e jornalismo superficial e de fácil digestão, afastando o consumidor da vil realidade que o cerca e do pensar sobre as causas e efeitos dos vários problemas mundiais e de menores escalas. E, também como já disse, isso impede uma percepção da realidade e uma mobilização da população, que se mantém robozinhos cegos que consomem e trabalham alimentando o sistema desigual e injusto atual.
      Está claro que isso acontece porque existem as grandes empresas que monopolizam o mercado, controladas por grandes empresários que continuam a busca incessante por dinheiro sem ligar para o restante da população em péssimas condições de vida. É certo que nem tudo aquilo que é produzido pela mídia onipresente em nossas vidas é lixo. Jornais e sites mainstream possuem muitas vezes colunas de opinião e áreas em que assuntos são debatidos por pensadores das diferentes áreas, mas, por serem de digestão mais dificil ou por estarem em meios mais caros e de acesso restrito, são lidos, isso quando lidos, por uma parcela minima de uma minoria.

      Uma exposição da realidade feita de forma reflexiva, em que há uma análise e confronto de pontos de vista é essencial para que se comece a pensar em mobilização e busca por mudança da realidade. Só se conscientiza permitindo e incentivando a reflexão. A mídia hoje vai na contramão disso. Esse tipo de iniciativa hoje só é possível de forma desvinculada à grande mídia e às grandes empresas - no underground, por assim dizer. Os que estão no poder não querem que isso seja possível. Iniciativas com esse tipo de objetivo só são possíveis se feita por quem não está no poder. Todos nós podemos e devemos tomar iniciativas nessa direção. Somos pessoas pensantes e atuantes no mundo que podem fazer as coisas por elas mesmas se correrem atrás. Porque se nós não fizermos ninguém fará por nós. Está insatisfeito com algo? Quer saber porque as coisas são de um determinado jeito e não de outro? Tire a bunda da cadeira e faça alguma coisa, tome uma atitude quanto ao assunto. É o mesmo principio da filosofia punk, do Faça Você Mesmo - Do It Yourself, em inglês. O DIY diz exatamente isso. É cada um fazendo por si só, sem esperar que qualquer força maior o faça. Se quer algo, vá atrás e faça.
        Foi com esse pensamento que as várias bandas punk surgiram no final dos anos 70. Tanto nos EUA quanto na Inglaterra, a juventude estava insatisfeita tanto com a condição social da população quanto com a profissionalização e industrialização do rock. Aí se formaram as primeiras bandas punk, com um som cru e simples, estilo sujo e rebelde, indo contra tudo vigente na época - causando mesmo. Uma das bases do movimento foi o DIY, a idéia de que qualquer um podia chegar e fazer o som como quisesse e soubesse, questionando o que via de errado no mundo. E o movimento se extendeu por um longo período, passando por uma fase de decadência nos anos 80, após o punk se dividir nas mais diversas vertentes e retornando com tudo nos anos 90, mas sem o mesmo espirito e raça da década de 70, uma vez já inserido em boa parte no sistema, trnsmutado em máquina de dinheiro de grandes gravadoras. O punk começou como uma grande afronta e quebra de costumes e padrões, para acabar transformado em modismo e commodity para larga escala. Infelizmente, isso acaba acontecendo com todo tipo de manifestação e produção cultural popular. No final das contas, a moçada se rende à mentalidade do "ter" capitalista. Bandas realmente DIY hoje são raras e escondidas. O punk, agora comercialzão, já é simplesmente absorvido assim como todo o resto do que é feito pela mídia mainstream.   
       O movimento deu uma boa chacoalhada no mundo, mas que não foi suficiente para efetivamente mudar a realidade. Mas acredito que sem ele estariamos em uma situação muito pior hoje em dia. Foi uma bela e importante levantada de voz da população para a injustiça e ausência de valores na sociedade contemporânea. E só foi possível graças ao seu espiríto DIY, que levou a uma mobilização gigante em prol do movimento. Uma maré na direção contrária do industrial, idealizado e plastificado. O punk era algo alcançável, que qualquer um podia fazer e ouvir, um som até desagradável, assim como a realidade o é. O oposto do mundo falso passado pela mídia está ali personificado em música, moda, esporte e atitude - um grito a favor do ativo e não do passivo, uma rajada de visão nos olhos antes cegados.
         Não o punk em si, porque ele já foi incorporado ao sistema e à mídia mainstream - já ficou batido - , mas a idéia do Do It Yourself é, mais do que nunca, necessária hoje. Já passou da hora de buscarmos as coisas por nós mesmos, não ficarmos dependendo do sistema e do governo. Para mudar o mundo, precisamos se mobilizar, e mobilizar os outros. Nós somos capazes e, como habitantes desse mundo, é nossa obrigação fazer algo para melhorá-lo. Podemos juntos melhorar a vida da humanidade, é só não termos medo de tentar. As coisas não são assim porque são, as pessoas que as deixaram assim e as pessoas que podem mudá-las. É só usarmos das ferramentas ao nosso dispor para tanto. A internet hoje nos proporciona tanto, temos todas as pessoas, onde estiverem, conectadas umas com as outras - é uma ferramenta de poder incalculável e que pode e deve sim ser usada por nós na busca por mudança. As  ferramentas ao dispor de cada um para se buscar um mundo melhor hoje são muitas. Logo, depende de nós unicamente. Já passou da hora de agir.

segunda-feira, 29 de março de 2010

ícones vazios

   
    Mudei o layout do blog. Já tava cansado do antigo, apesar de que era bem legal. Observem que, como tudo hoje em dia, ficou obsoleto em pouco tempo. Eu me cansei dele porque estou preso à sociedade atual, que cansa de tudo muito rápido [diria que o visual anterior até resistiu bravamente além do esperado]. Vivemos na era da constante mudança, em que nada dura o suficiente para fazer sentido. Tudo é material, tudo é coisa. Por isso, é substituível, é descartável, porque não passa de algo superficial, sem alma - uma simples imagem. Pessoas famosas são um bom exemplo disso. Pessoas famosas são como produtos. Nós a consumimos e, quando cansamos, a jogamos fora e trocamos por outra. Mas aí alguém irá dizer “elas não são como produtos, elas são pessoas e pessoas têm alma e não são descartáveis, cada vida e cada ser são únicos”. Pura verdade. Porém, não são as pessoas famosas em si que são descartadas - a pessoa continua viva, pensante e atuante no mundo como o restante dos mortais – o que é descartada é a imagem da pessoa. A imagem dela sai da mídia, é esquecida. Mesmo que lembrada, como muitas imagens marcantes, é lembrada como algo do passado, já substituído por uma imagem equivalente.
    Isso é bem óbvio hoje em dia, mas raramente paramos para pensar a fundo no assunto. Temos a tendência de simplesmente aceitar as coisas como são e não refletir do porque e das diversas implicações – causas e efeitos. Nada surge do nada. O que me trouxe ao assunto, além de claro ser intrínseco aos tópicos que abordo com frequência no blog, foi a exposição que eu fui sexta, “Mr. America” do Andy Warhol que fica até Maio na Estação Pinacoteca em São Paulo. Uma exposição imperdível que reúne as obras mais importantes desse gênio revolucionário da arte. Em sua obra, temos retratados os ícones da sociedade de massa da segunda metade do século XX. Warhol retrata e critica exatamente, entre outros aspectos, a superficialidade e a adoração inconsistente por ícones que não passam de imagens sem qualquer profundidade de significado ou real identidade com a população.
    De lá pra cá, diversas coisas mudaram. A tecnologia evoluiu, a produção de commodities se expandiu e intensificou nas mais diferentes áreas, novos públicos foram se formando e os meios de comunicação passaram a ser interativos. Muito mudou é verdade, mas na essência tudo continua igual. Nos mantivemos a mesma sociedade vazia. A adoração a ícones só aumentou, com a ascenção desenfreada do consumismo e a expansão e subdivisão das indústrias. Istoé, a realidade retratada por Warhol só se intensficou e, pior ainda, se globalizou. É verdade que não somos mais massificados como antigamente, houve uma segmentação e fragmentação dos consumidores, mas isso em nada mudou a idolatrização, só aumentou a variedade de imagens sem sentido para serem consumidas. E essas imagens são descartadas e substituídas a cada instante, como já falei no começo.
    Para entender melhor essa idéia de imagem, voltemos às pessoas famosas, que estão aí expostas apenas em imagem. Um excelente exemplo é a Marilyn Monroe, um símbolo mais do que marcante na sociedade ocidental, também presente, como todos sabem, na obra de Warhol. Acredita-se que todos nós conhecemos Marilyn Monroe - sabemos quem ela é. Isso não é verdade. Nós só conhecemos a imagem dela, não sabemos quem ela é. Quais eram seus desejos, medos, sonhos, angústias, gostos, inseguranças, valores, opiniões sobre o mundo? Eu sei lá! Só quem realmente conheceu Marilyn pode responder a uma dessas perguntas. Nós, que apenas a conhecemos por imagem, por aquilo no que a mídia a transformou para o público, não fazemos a miníma idéia de absolutamente nada sobre a pessoa Marilyn Monroe. E é isso também que faz das imagens tão descartáveis. São esteriótipos batidos criados em cima de uma determinada pessoa ou objeto ou empresa… Os sex symbols representam sexo, qualquer gostosa por aí pode ocupar esse papel. É só ser gostosa. É só ter o corpo considerado ideal para o papel e, a partir daí, assumir um personagem para ser vendido e consumido em grande escala. É um personagem plano e oco. Nada mais que isso.
    Esses ícones ocupam o imaginário popular e atuam como agente manipulador e alienador da sociedade. Nossa visão de mundo é distorcida por essas imagens forjadas. Afastamos nosso olhar da realidade para se prender àquilo vendido como ideal e padrão a ser buscado. Há uma mistificação das pessoas famosas, para que sejam vistas como inalcançáveis e perfeitas. O sonho de todos passa a ser tentar ser igual a elas. Cria-se a ilusão de que todos podemos ficar ricos e famosos e que, a partir daí, seremos perfeitos que nem as falsas imagens que vemos no cinema, TV, revistas, internet, etc. E, como já afirmei, seguimos assim até hoje. O mundo plástico holywoodiano ofusca os grandes e pequenos problemas mundiais. A imensa e brutal desigualdade social é esquecida e as empresas seguem fazendo a festa às custas de uma maioria com péssimas condições de vida e cegada pela mentalidade do consumo.
     A arte de Warhol é, portanto, atemporal. E continuará atemporal até que percebamos o quão errado e superficial está o nosso mundo. Tudo é coisificado,transformado em produto. A única mudança que ocorre é a do enlatado para o digital, mas será que essa mudança tem algo de significativo? Que tal parar de consumir e tentar pensar um pouco? Qual o sentido de tudo isso? Que mundo é esse?

domingo, 21 de março de 2010

Ciclos e mais ciclos

      Eu acredito que tudo é cíclico. Nada é linear, nada é uma constante evolução. Tudo consiste na eterna ida e volta, subida e descida, o eterno retorno. A vida, o mundo, o universo, a natureza, a sociedade consistem em ciclos formados por ciclos menores, que, por sua vez, são formados por ciclos ainda menores... e assim por diante. Sim, as coisas mudam e se transformam, mas tudo em cima de uma base ciclica, uma lógica de ascenção e queda. Há uma quantidade imensa de exemplos a serem dados para comprovar minha tese, inclusive teorias ciclicas de teóricos, pesquisadores, estudiosos e filósofos nos mais diferentes campos.
      Observando a história, conseguimos enxergar os ciclos nas mais distintas escalas. Da racionalidade grega e romana fomos para o misticismo medieval, e acabamos por nos tornar à racionalidade novamente, quando se inicia a Idade Moderna. Lógico que a certeza da volta ao misticismo é nula, vista a enorme escala com que estamos lidando.  Peguemos agora um exemplo de algo menor, que lida com períodos de em torno de 50 anos: os ciclos de Nikolai Kondratiev. Um ciclo de Kondratiev tem um período de duração determinada, que corresponde aproximadamente ao retorno de um mesmo fenômeno. Apresenta duas fases distintas: uma fase ascendente e uma descendente. Eles se aplicam à economia mundial e já foram comprovados como válidos na prática, vide todos os apogeus e crises imensos que já vivemos no último século. E, diminuindo ainda mais a escala, podemos ver essa lógica na carreira de uma pessoa. Toda carreira tem seus altos e baixos, assim como os relacionamentos e tudo que envolve a vida de cada um. Não há excessão a essa regra. Claro que os ciclos, como tudo nesse mundo, podem ser extremamente inconstantes e irregulares, havendo a possibilidade de longos períodos de estabilidade, assim como de queda e ascenção de uma constância totalmente bizarra. 
        O fato é que, por mais que se acredite que tudo é cíclico, é impossivel compreender tudo usando essa lógica. Rotular, controlar, entender tudo é impossivel, cada vez mais. Um mundo cada vez mais populoso e fragmentado como o que vivemos consiste na cada vez maior inconstância e, com isso, dificuldade de análise. Eu acredito no cíclico, mas acredito que essa visão não nos permite entender todos os processos que englobam a realidade, nenhuma lógica permite. Requer tempo, conhecimento, diferente ângulos de observação e vários leveis de reflexão para poder se chegar o mais próximo possivel de saber para onde o mundo está indo. Porém, a lógica do cíclico está aí, e é uma das bases da dinâmica do real, sendo de extrema relevância para uma, mesmo que minima, compreensão do mundo e a vida. O linear não existe.

segunda-feira, 15 de março de 2010

diversamente fragmentado

  O mundo é diverso. Hoje, não existe um produto que agrade a todos. Estamos longe disso. A sociedade não é massificada como as grandes empresas gostariam. Isso por um lado é bom e por outro é ruim. É bom porque como se tem os mais variados grupos, se tem as mais variadas atrações para cada grupo consumir. As empresas tentam ganhar cada vez mais dinheiro e, para isso, precisam atingir o maior número de pessoas que puder. Dessa forma, a indústria se torna ampla e rica, são produzidos os mais diferentes tipos de coisas para os mais diferentes tipos de consumidores. Isso incentiva a criatividade e a inovação em todos os setores, o que é muito loko. Se acha quase de tudo por aí hoje em dia.

    Por outro lado, essa diversidade não impede que se tenha um monopólio. Grandes corporações milionárias dominam o mercado, impedindo a competição e garantindo a cada vez maior desigualdade social. Uma única empresa fabrica os mais diferentes produtos. Por exemplo, uma mesma editora tem linhas de revistas e livros distintas para cada nicho. Assim, a diversidade acaba sugada pela corrente capitalista, alimentando o imperialismo atual. O mundo é diverso, mas só um pequeno grupo dentre os muitos existentes tem o poder.

    A fragmentação da população mundial em pequenos grupos, com diferentes gostos, visões, ambições, etc., por mais que pareça algo bom por dar a idéia de reversão do processo de massificação, impede uma mudança do mundo em larga escala. Não só pelo fato de se haver um desequilibrio nas relações de poder e um mercado monopolizado, mas também porque acabar com a injustiça no mundo e derrubar o terrível sistema atual dependeria de uma mudança de mentalidade por parte da maioria global e de uma movimentação coletiva para tirar as grandes empresas do alto da pirâmide. Logo, um mundo dividido dificulta ainda mais a busca por mudança. Movimentação coletiva requer uma integração de todos, todo mundo enxergar a necessidade de mudança e agir junto. Portanto, integrar os pequenos grupos seria um passo fundamental para começar a se pensar em uma mudança significativa da situação atual.

Como se obter uma união de todos? Esse é o desafio agora.

sexta-feira, 5 de março de 2010

a imagem como realidade

     Cada vez mais, vivemos da imagem. Nosso contato com a realidade se dá pela imagem. Vemos imagens na TV, imagens no jornal, imagens na internet, imagens na rua. Imagens essas que nos trazem informações sobre o que ocorre no mundo, sendo representantes da realidade. Elas não só mediam a relação entre nós e o real, como o distorcem. Elas são um recorte - uma interpretação de quem as concebeu que será interpretada por nós. Istoé, uma interpretação da realidade que nós, por nossa vez, interpretamos como bem entendemos. Logo, são extremamente subjetivas e precisam ser enxergadas com um olhar critico. Um olhar consciente de que aquilo não é o real, mas um ponto de vista do real. O problema é que as pessoas hoje cada vez menos têm esse olhar e cada vez mais veem as imagens como se fossem o mundo em si.
     Bombardeadas por imagens e dependentes das mesmas até mesmo para sua auto-afirmação diante da sociedade, as pessoas no geral não refletem sobre a imagem como algo feito com uma determinada intenção por seu concebedor, como algo construido de uma determinada forma por determinados motivos. Existem sim imagens que tentam traduzir o real da forma mais nua a crua o posssivel, mas ainda assim isso não acontece, há sempre o elemento da subjetividade. E os individuos não terem consciência disso é uma das principais razões pelas quais a midia tão facilmente os manipula, engana e aliena, defendendo as intenções de certos grupos e subjugando o restante.
     Imagens são ricas e de extensos significado e possibilidades de interpretação, possuindo imensa profundidade e poderosa capacidade comunicativa. Porém, como tudo, a imagem pode ser usada para o bem ou para o mal. Claro que existens tons de cinza e esses dois conceitos são relativos e de um maniqueismo tolo, mas vocês vão ter que concordar que manipular o povo é errado. Bom, anyway...no momento que as imagens são usadas para controlar as pessoas, o fato daquelas serem vistas como a pura realidade só facilita o processo. Logo, é uma relação que depende de dois elementos: empresas mal intencionadas e expectadores que têm para si um conceito errôneo do que é imagem. Se tirarmos um dos dois de cena, a alienação por meio de imagens, em teoria, acaba. Claro que o texto verbal também tem um alto poder de persuação e distorção de fatos, mas não tanto quanto o visual. Portanto, se as pessoas soubessem lidar com as imagens, o controle da mídia sobre a população reduziria significativamente.
     Conclui-se disso que um primeiro passo para acabar com a desigualdade no mundo seria possibilitar que as pessoas enxerguem as imagens como um recorte pessoal e parcial do cotidiano. A forma como se vê a imagem hoje precisa mudar, porque a manipulação da população mundial por parte dos meios de comunicação perderia uma gigante parte de sua força se isso acontecesse. Seria um começo no longo e árduo processo de abrir os olhos de todos para a realidade. O ser humano com olhar critico, pensante é aquele incontrolável, aquele que muda e movimenta o mundo. E, mais que nunca, precisamos dele.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

racional?

       O homem é um animal como qualquer outro. Mas, com certeza, algo o diferencia dos demais, já que os seres humanos têm a capacidade de pensar sobre o mundo e intervir nele de acordo com seus interesses, transformando a natureza e vivendo em sociedade, com uma organizaçao política e econômica. Somos seres racionais, que deixam de lado seus instintos para dar lugar à lógica, às ciências e às artes. Abdicamos do selvagem para viver de maneira civilizada, usando de nossas mentes para criar e inovar, buscando a melhor qualidade de vida para nós e entender ao máximo o mundo e o universo em que vivemos. Novas técnicas e tecnologias buscam facilitar nossas vidas. Queremos, cada vez mais, controlar mais o mundo em que vivemos para que ele esteja ao nosso dispor. E, em teoria, quanto mais próximo chegamos disso, mais evoluida a sociedade.
       Deixando de lado o papo de eco-chato de que tem que se respeitar a natureza e usar dela com responsabilidade e equilibrio... acredito que a ideia de melhorar a sociedade ao máximo por meio da busca de controle do mundo de que o homem moderno inicialmente partiu para o que temos hoje é um tremendo paradoxo. Sim, a tecnologia evoluiu para patamares nunca antes imaginados, a medicina está ficando inacreditável e a internet revolucionou nossa forma de viver de uma maneira inexplicável, mas, no geral, a vida da sociedade está melhor? A resposta é não. Vivemos em um mundo em que a maioria da população é pobre ou miserável. Temos a tecnologia de ponta que nos permite quase tudo aí, mas quantas pessoas têm acesso a ela? Muito, mas muito poucas. A desigualdade sem tamanho que enfrentamos impede a sociedade de melhorar. Tudo porque o sistema em que hoje estamos inseridos é injusto e ele é injusto porque o homem acabou por construi-lo assim.
        Aquilo que nos distinguia dos demais animais parece ter sido colocado de canto pelo homem no decorrer da história. Abusamos de nossa racionalidade para criar, mas não a usamos para pensar no próximo, pensar no mundo como um todo. Durante o processo de desenvolvimento da tecnologia, o ser humano agiu como um selvagem. Foi criando e criando,  mas usando de suas criações apenas para o beneficio próprio, não pensou nos outros, mas usou dos outros como alavanca para seu cada vez maior enriquecimento. Passou a, além de dominar a natureza, dominar os outros seres humanos, buscando chegar ao topo da cadeia e se tornar o mais poderoso. É isso que tornou e torna o mundo desigual como é, uma mentalidade individualista materialista. A ganância cegou a racionalidade do homem o levando a submeter sua própria espécie e o capitalismo se tornou selvagem, um capitalismo sem fronteiras que passa por cima de tudo e todos. Não evoluimos em nada.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

do underground para o mainstream

        Pegue o cd mais recente de uma banda de rock reconhecida internacionalmente que lota estádios pelo mundo todo. Agora pegue o cd mais recente de uma banda de rock (de preferência um gênero de rock similar ao da anterior) desconhecida, independente que toca no barzinho da esquina por uns trocados. Compare os dois. A primeira diferença que você notará é na produção, na qualidade das gravações e na limpeza do som. Obviamente, a primeira banda tem muito mais grana e é vinculada a uma puta de uma gravadora e um produtor musical fudidos, logo dará de dez a zero nesses atributos. A segunda terá som de garagem, poluido e mal acabado. Até aí beleza, não é isso que vai determinar que banda é melhor. Seguindos pelas faixas dos dois álbuns, você encontrará a principal caracterítisca que distinguirá os dois sons: os elementos pop.
        Os álbuns de uma grande banda de rock de sucesso tendem a ter algumas faixas mais melódicas, leves, numa levada calma e de fácil digestão. Em paralelo, uma banda do cenário underground tende a manter o som pesado durante todo o álbum porque, afinal de contas, eles são uma banda de rock e esse é o som deles! O motivo pelo qual bandas famosas mundialmente tendem a soar mais pop é simples. O pop, como já diz o nome, é um som popular. É um som que acaba por agradar o público em geral por ser de fácil assimilação.  E os conjuntos que estão no mainstream, com alta divulgação na mídia, fazem músicas desse gênero para abranger um maior número de pessoas e, com isso, ganhar mais dinheiro. O processo acontece mais ou menos assim: uma banda desconhecida ao, por alguma razão como esforço próprio, conseguir fazer um pouco mais de sucesso e se destacar, atrae os olhares das gravadoras. As gravadoras de cds notam um talento ali, algo que cai no gosto dos fãs, e caem em cima da banda de roqueiros que não têm onde cairem mortos com contratos milionários com zeros que não acabam mais. Ao assinar esse contrato, a banda cai na mão da gravadora e é obrigada a mudar milhares de coisas, como por exemplo deixar o som mais pop para aumentar a legião de fãs e deixar a gravadora ainda mais rica. Nesse exato momento, a banda passa do underground para o mainstream.
        Não são todas as bandas que aceitam se vender dessa forma para o sistema, por assim dizer. Muitas veem isso como ir contra seus valores subversivos e alimentar a cruel máquina capitalista, outras não pensam nem duas vezes - também, os caras nunca viram tanta grana na vida! O fato é que muitas entram no barco e, tentando ganhar público para as gravadoras, acabam por perder seus fãs mais radicais. O Dire Straits já dizia "Get the money for nothing and get chicks for free", criticando a atitude de vender "sua alma" por dinheiro. Eu concordo em parte porque, como tudo, a história tem dois lados. Se por um lado os questionadores do sistema passam a alimentá-lo - é, o rock acabou virando uma máquina de dinheiro nas mãos das empresas - por outro, temos divulgadas excelentes bandas antes escondidas. Sim, os caras mudaram um pouco o som, viraram pop, mas ainda assim ainda continuarão fazendo músicas mais rock n' roll e de inquestionável qualidade, porque nem eles nem a gravadora querem perder o público inicial  e porque foi com esse som original que eles se destacaram na multidão e alcançaram os grandes palcos. Istoé, a banda pode ficar mais pop, mas nós passamos a ter músicas questionadoras com enlouquecedores riffs agora no mainstream - já que o som antigo é em parte mantido. Em consequência disso, muito mais gente terá acesso a esse tipo de som e mais gente vai querer fazê-lo. Quanto mais difundido o rock, melhor. Temos mais gente criando e recriando em cima daquilo e mais gente questionando e criticando da mesma forma que fazem as letras das músicas. E essa ampla difusão só o mainstream permite. Um estilo musical preso no underground, por mais que não contribua com as grandes empresas, fica desconhecido pelas pessoas. A verdade é que o mainstream é que movimenta música.
       Não vou negar que me revolta baixar o cd de uma banda que eu adoro e encontrar musiquinhas deprê ou felizes demais que dão vontade de vomitar no meio.  Mas o mainstream é que permite aos gêneros explodir e serem conhecidos mundialmente. Sem ele, não se conheceria o rock mundialmente e, por isso, suas vertentes nunca virião a existir, não teriamos punk, grunge ou mesmo qualquer tipo de rock brasileiro. É uma pena que se pague um preço tão caro pela fama, o preço de tudo no capitalismo: contribuir com a terrível lógica materialista em que vivemos. A parada é séria, as bandas passam de rebeldes a escravos das gravadoras. É uma ironia, até mesmo porque eles passam a ser rotulados como "astros do rock", quando na verdade se tornam prisioneiros do pop. Não queria colocar as gravadoras como vilãs, até porque elas estão inseridas em todo um sistema e também não se pode generalizar! Mas o que elas, no geral, querem é fazer mais e mais dinheiro com a banda e acabam a transformando em um negócio, como tudo no capitalismo. A culpa não é delas, mas da lógica em que vivemos e da mentalidade que temos incrustrada nas nossas mentes. E os musicos também estão presos a essa lógica, todo mundo no fundo no fundo quer uma vida melhor. As bandas que não se vendem são nobres pois se opõe na prática a essa lógica, conservando a qualidade de seu som por completo. Porém, se nenhuma banda se entregasse à fama...a música não se espalharia mundo afora, o que é algo necessário para o bem da música, mesmo que se entregar ao mainstream contribua para tantos outros males... É a forma de mover a música hoje, é o caminho principal e certeiro da difusão na atualidade. Alternativas existem, mas  sua eficácia é rara, as bandas que conseguem subir ao topo de outras formas são escassas. Estamos ainda dependentes da grande mídia para a grande divulgação. A internet seria a principal alternativa, já que a circulação de informação é livre e global, mas a quantidade de coisa é tanta, que sua banda acaba perdida na multidão, conhecida pelos poucos que por acaso toparam com ela no meio do imenso mar da net
        Mudar essa lógica, só mudando o mundo. Bora?

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

a guerra e o dinheiro

       No post anterior, falei do uso da mídia na alienação e manipulação das pessoas. Isso se dá, pois os grandes meios de comunicação estão nas mãos dos grandes empresários. Dessa forma, há uma parceria da indústria de bens de consumo com a indústria do entretenimento, que lucram gigantemente ao transformar a população em expectadores passivos que consomem e trabalham - alimentando o sistema. Não é nos deixado tempo ou dado espaço para refletir, o que nos mantém sob controle e fiéis ao modelo atual, já que não enxergamos as raízes dos problemas e a possibilidade de mudança do quadro atual. Consumimos acreditando em um mundo imutável. Mas, como já falei e refalei por aqui, isso não é verdade. Nada que nos é imposto é imutável, mas fruto de um processo que tornou o mundo como é hoje, podendo, assim, ser alterado. Juntos nós podemos muito, o povo injustiçado é a maioria. 
       Dentro da indústria de bens de consumo temos os mais diversos produtores das mais diversas mercadorias, entre os quais a indústria bélica. A indústria bélica foi no século XX e ainda é hoje uma das mais lucrativas, senão a mais lucrativa nos EUA e no mundo. Os fabricantes de arma têm um papel fundamental na movimentação de toda a economia mundial. Por isso, esse é um setor da indústria que todos os poderosos, assim como o governo norte-americano, querem preservado. Se as fábricas repentinamente fechassem, teríamos um súbito rombo na economia, uma quebra no sistema e uma redução muuuuito mais do que significativa nos lucros dos que hoje estão no topo da pirâmide, provavelmente levando a uma crise mundial. Logo, um mundo sem guerras seria um mundo muito menos lucrativo.
        Podemos concluir a partir desses fatos que a paz mundial não chegaria nem perto de alimentar a imensa ganância de grande parte dos grandes empresários. E, acreditem ou não, eles querem que sempre haja guerras. O próprio governo norte-americano, que alega guerrear em busca de um mundo mais civilizado, menos conflitante e totalmente pacifico, precisa da guerra para manter sua economia entusiasmada e entupida de capital rodando. Por isso se tem tanta guerra no mundo. Não é apenas porque o ser humano diverge nas mais diferentes questões, mas porque a guerra dá dinheiro. Os motivos para as guerras são, na maioria das vezes, desculpas para se continuar fazendo dinheiro. Os EUA estão sempre à procura de novos inimigos com quem guerrear. E percebam que as guerras atuais nunca são travadas em território estadunidense - deixando-os intactos. Com o fim da Guerra Fria, trocaram-se os comunistas pelos árabes. Uma vez dizimado o Oriente Médio, a grande potência mundial terá que achar novos adversários. 
        E essa lógica é o cúmulo da desumanidade hoje. A mídia vende a guerra como necessária para nós, enquanto na verdade na maioria das vezes é um pretexto para se continuar fabricando material bélico. Vidas e mais vidas são perdidas todos os dias para que a indústria bélica se mantenha ativa. É um absurdo sem tamanho! E só mostra como o mundo de hoje está inacreditavelmente horrível. A que ponto chegamos? Extrapolaram-se todos os limites do certo e errado, tudo por causa de pedaços de papel chamados de dinheiro. O homem chegou a um ponto em que a mentalidade materialista tomou conta além do imaginável, o impedindo de enxergar a cruel desumanidade de seus atos. A lógica capitalista prendeu a todos e a mídia que os poderosos usavam para cegar aos outros já cega a eles mesmos. Eles não conseguem mais viver sem todo esse lucro, sua mente não suporta parar de ganhar mais, mais e mais. Istoé, acabamos todos, até aqueles que incialmente tinham o controle, consumidos pelo sistema e pela mentalidade do "ter". A verdade é que estamos TODOS cegos, alimentando o mais vil, diabólico e sádico sistema que se pode imaginar. 
      Aqueles que enxergam precisam abrir os olhos dos outros. Precisamos lutar contra a corrente, ir na contra-mão da manipulação midiática e da mentalidade materialista. É hora de abrirmos os olhos para a loucura que é o mundo de hoje e usar as ferramentas que temos ao nosso dispor para reverter a situação. Pensar no humano, em uma realidade mais justa e, juntos, conquistarmos um novo mundo, quebrando com o atual. É uma tarefa mais do que árdua e até mesmo abstrata, mas se cada um fizer algo para tentar mudar - dar uma contribuição - podemos chegar longe. Pense, discuta, faça.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

sem espaço para refletir

       Refletir, enxergar e pensar a realidade parece ter se tornado pecado. Quando não estamos trabalhando ou comprando, nosso tempo livre é ocupado pelas várias formas de entretenimento que temos hoje em dia. Não resta tempo para pensar. Todo dia, a grande maioria da população ocidental chega exausta do trabalho e vai logo se jogando no sofá para assistir TV. E na TV aberta, especialmente a brasileira, são raros os programas inteligentes e é minima a minoria que os assiste. Formas de distrações baratas acessam nossas mentes trazendo um mundo de ilusão e tapando nosso olhos da cruel realidade. Depois disso, os telespectadores desmaiam de sono e só abrem de novo os olhos na hora de ir trabalhar. É assim que a mídia trabalha para impedir que paremos e pensamos no mundo.
        Além do entretenimento, temos a parte informativa - os telejornais, o jornal escrito e os sites de notícias - que deformam a informação conforme lhes é de melhor serventia ou simplesmente as repassam como recebem das grandes agências de notícias que hoje monopolizam a maior parte da informação, organizações que distribuem informação mundialmente com a desculpa de serem consideradas as únicas fontes "seguras". As notícias são dadas sem dar espaço para que se reflitam sobre elas, sendo absorvidas igualzinho a todos os outros programas televisivos. O que agrava a situação é que a maioria das pessoas só tem acesso ao telejornal. Sim, existem bons jornais escritos que trazem opiniões diversificadas e até propostas reflexivas, mas a maioria da população não os lê. Existem também inúmeras boas fontes de informação na internet, mas, dos poucos que hoje tem acesso à web, é ainda menor a parcela que não se perde no turbilhão de informações e não acaba se restringindo aos sites grandes, os quais emitem as mesmas notícias mastigadas da televisão. A internet é um universo amplo, mas dificil de filtrar.
        Sem reflexão, não há uma percepção de como, quanto e por que a realidade está tão injusta e desumana. E sem que se percebam os milhares de problemas que tomam nossa sociedade, a imensa desigualdade na qual estamos imersos e a razão de tudo isso, as pessoas acabam passivas, apenas contribuindo e alimentando o desequilibrio, consumindo e trabalhando. Só no momento em que a grande maioria tiver o tempo e o espaço para refletir é que se poderá haver a busca por mudança, a quebra desse sistema falho e a criação de um mundo mais justo. A mídia é fundamental na manutenção do terrível contexto mundial em que vivemos. O importante é tentar ter um olhar crítico diante dela, perceber que aquilo exposto nos jornais é apenas um ponto de vista. Aquilo não é a verdade, a verdade absoluta não existe.

sábado, 30 de janeiro de 2010

HQs subestimadas

    Hoje é dia do quadrinho nacional. Aproveito essa data pra falar um pouco da importância da HQ e de como essa arte é muito subestimada. O universo das histórias em quadrinho é muito amplo, nele já foram criadas os mais diversos tipos de histórias, com os mais variados personagens. Muita gente ve o gibi como coisa de criança, mas isso é um total equívoco. Existem desde as histórias para o público infantil, que acabam por ser a maioria e as de maior divulgação e publicação - principalmente no Brasil - até quadrinhos que abordam os temas mais sérios e adultos.
     As HQs podem ser educativas, críticas, políticas, de tramas complexas, sanguinárias ou controversas. Já foi desenhado e escrito todo tipo que se pode imaginar, ainda mais se pegarmos as histórias underground. Peguemos artistas como Robert Crumb e Art Spiegelman. Eles fazem um trabalho realmente artistico, de intensa profundidade, em que há um olhar critico e uma expressão expontânea do artista em sua obra. É um uso fora do convencional da HQ, e diria que uma das melhores formas de utilizá-la. Por outro lado, temos os mais tradicionais e divulgados, como os de super herói. As duas grandes empresas de quadrinho norte-americanas Marvel e DC dominam o mercado, e devido a sua tradição, tem uma imensa importância na cultura pop. Mantém até hoje gibis dos anos 40, como do Batman, Homem Aranha e Superman, personagens que se tornaram ícones pop, uma vez difundidos nas mais diversas mídias, e são mundialmente conhecidos até pelo cara mais leigo em HQ.E eles surgiram dos quadrinhos.
    Essas gigantes editoras, se adaptando ao mercado e à ampliação do público, foram obrigadas a sair do convencional e criaram selos  para a publicação de outros tipos de histórias, como o selo Vertigo, que publica títulos como Hellblazer John Constantine e Sandman. São histórias para adultos com personagens muitas vezes de moral  distorcida e sem o politicamente correto bem vence mal dos super heróis. Até mesmo as histórias de super heróis já perderam essa característica, se tornando cada vez mais complexas e menos bobas e infantis como de início. Heróis com crises existenciais e/ou que matam gente não faltam hoje.
    As histórias em quadrinhos são e já foram usadas para as mais diversas empreitadas, como representar um fato histórico, ilustrar uma época por exemplo. Revoluções e independências já foram colcadas nos quadros sequenciais!
   Bom, não faltam exemplos do uso da ferramenta HQ e eu poderia ficar o dia todo aqui citando mais e mais, mas acho que já mostrei bem o que quero dizer. A nona arte pode ser usada para milhares de fins, sua produção é barata e sua leitura muuuito longe de exaustiva. É um meio de comunicação importante e significativo que não deve ser desprezado. E hoje com a internet o acesso aos mais distintos materiais está cada vez mais fácil. Qual o seu interesse? Pesquise, pois pode ter uma HQ abrangendo exatamente o assunto que você curte! Um feliz dia da HQ nacional para todos.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

a beleza do show de rock

       Cada pessoa tem sua maneira de ver o mundo. Cada um de nós tem uma visão política, uma doutrina ética, uma religião, gostos distintos pelas mais diferentes coisas e uma maneira própria de levar a vida e lidar com trabalho, família, relacionamentos amorosos, etc. E são essas milhares de diferenças entre nós que muitas vezes nos separam, impedindo uma união de todos em prol de um suposto bem maior. E quanto mais a população mundial cresce, mais os conflitos nas mais variadas escalas se agravam. Países se fragmentam em países menores, povos disputam com outros povos e alcançar a paz mundial parece ainda mais remoto do que antigamente. O fato é que a paz não existe porque existe um jogo e choque de interesses, tanto mundialmente quanto na menor escala imaginável.
       Poderia discutir aqui esses conflitos que muitos estão careca de saber e até discorrer sobre como a potência norte-americana se aproveita deles para dominar as regiões com seus soldados, na tentativa de expandir seu imperialismo, e não de ajudar. Afinal, por que eles iam querer a paz mundial se a guerra é muito mais lucrativa financeiramente? (Risos) É, mas a função desse post não é analisar/criticar a política mundial, apesar de eu já ter me aproveitado pra dar uma espetada! 
       A verdade é que são raros os momentos em que temos uma união conjunta de todo uma multidão de pessoas de distintas visões de mundo e classes sociais em torno de um único motivo, uma causa. É raro esse momento, um momento em que as diferenças não importam mais  e os preconceitos são deixados de lado, porque todos estão ali pela mesma razão.
       
       Um exemplo de momento igual a esse é o show de rock. É aí que está a beleza do show de rock. Nele todos estão lá pela banda, todos, independente de raça ou religião, são fãs da banda e curtem rock n' roll! Estão lá para ouvir e ver os artistas que tanto gostam e curtir o show juntos, pois têm esse gosto em comum. E é lindo isso. O poder que o rock e a música em geral têm de criar uma identidade entre as mais diferentes pessoas, de uni-las e de quebrar as fronteiras construidas pela vida e a sociedade é impressionante, parecendo trazer um momento de esperança em uma sociedade tão afastada entre si. Durante uma, duas horas, essas fronteiras são esquecidas, se dissolvem e deixam de existir. E o mais incrível é que a maioria das pessoas não percebe. 
         Me alegra saber que existem ainda meios de reunir as pessoas em torno de uma paixão em comum, fazendo com que se esqueçam as diferenças e os conflitos cessem. Mas ainda é desilusório saber que a tendência hoje é outra, é o isolamento. As pessoas estão se separando uma das outras e essa desagregação, cada vez maior, em pequena escala só se reflete nas guerras em grande escala. O mundo está desunido, isso só abre espaço para mais caos e injustiça, nos colocando cada vez mais longe de qualquer utopia. Essa é a realidade e só depende de nós mudá-la, começando por tentar se aproximar mais daqueles à nossa volta e quebrar nosos preconceitos pessoais. Mais que nunca, precisamos fazer um esforço e sermos mais solidários. Não é tão dificil quanto parece e pode fazer toda a diferença no mundo. Você pode.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

a valorização do "ter"

       
       Hoje em dia se vê nas propagandas uma constante associação de um produto a um estilo de vida, uma forma de expressão, uma personalidade e atitude. Essa estratégia usada para atingir e persuadir o público é um reflexo da importância que a possessão de bens tem na atualidade. O consumismo advém da idéia do individuo precisar ter para se tornar completo, para obter aprovação do grupo - para ser feliz.
       Esse conceito, integrante da mentalidade da maioria de nós hoje, que nos julgamos e julgamos aos outros com base nas posses materiais move todo um sistema baseado no consumo. Essa necessidade de se ter é que gira a grande roda capitalista. Os mais diversos produtos surgem porque existem consumidores para eles e porque existe gente criando, ampliando e comprando empresas e negócios com o fim de lucrar cada vez mais, para poder ter cada vez mais. É obvio que precisamos comprar para viver, mas nós realmente precisamos ter tudo que temos ou almejamos ter? Não seria possivel viver com um número muuuito menor de bens? E, a questão mais importante, não seria errado e estúpido julgar e ser julgado pelo que se tem?

       O mais peculiar é que, além de todos quererem cada vez mais ter e ter, cada vez mais, todas as pessoas querem ter a mesma as mesmas coisas. O desejo da maioria acaba direcionado para determinados commodities. Istoé, todo mundo quer a mesma coisa. Pode ser um item especifico ou uma marca. E, na maioria das vezes, o que é desejado não é necessidade e não vai mudar a vida da pessoa de nenhuma forma efetiva ou crucial. Se pararmos para pensar, a cada dia acumulamos mais e mais lixo em nossas casas que, de inicio eram a última moda, e agora não servem pra mais absolutamente nada. Não precisávamos daquilo, compramos para atender um desejo, atendido o desejo a coisa se torna obsoleta.


        Quem ganha com isso são os fabricantes, produtores dos produtos, que lucram cada vez mais, enriquecendo às custas de consumidores que economizam até o último centavo de seu salário para comprar o que almeja. E quanto mais uma marca lucra e cresce, menor a concorrência e menor a necessidade da empresa de aprimorar seus produtos e dar uma boa qualidade de vida a seus trabalhadores, uma vez que essa marca acaba por comprar as outras - menores. Estagnando cada vez mais o mundo e a sociedade e aumentando as desigualdades. Em consequência disso, crescem problemas como o desemprego, a pobreza e a desigualdade social em todas as escalas.

        Entretanto, os grandes fabricantes, também prisioneiros dessa mentalidade consumista, só pensam em ganhar mais e mais capital, aumentando seu monopólio e usando da propaganda não simplesmente para falar bem de seus produtos, mas para reforçar essa mentalidade do desejo e da necessidade do desnecessário, do ter como indicador de quem você é. E é essa abordagem que vemos todo dia nas mais diferentes mídias que não nos deixa mudar essa mentalidade e perceber a pouca importância que um excesso ou tipo/marca especificos de bens materiais têm perto de tantas outras coisas na vida.
       É fato que essa forma materialista de se pensar já está mais do que incrustrada em nossas mentes, ainda mais por ser reforçada todo dia pelos meios de comunicação. Porém, precisamos parar um minuto e pensar sobre os efeitos de um estilo de vida baseado no "ter" para todo o mundo e, em consequência, para você, e tentar consumir menos. É só refletir no que realmente é importante na vida, o que é essencial e o que é de realmente grande valor, principalmente a longo prazo. Estamos cada vez mais imediatistas e materialistas. É hora de valorizar  o que realmente importa, aquilo que não é descartável e substituivel como os pertences. Troque o material pelo o humano.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

o rock e a música nos 00


       Bom, decidi fazer um post sobre música. Mais precisamente sobre rock, o melhor e mais amplo e diverso tipo de música que há! Desde o seu surgimento a partir do blues nos anos 50 nos EUA, o rock evoluiu ese construiu e dividiu nas mais diversas formas, sendo reciclado e repensado sempre, o que gerou as muitas vertentes que temos hoje. Cada década do século XX teve seus estilos musicais mais marcantes, que rotularam de certa forma suas respectivas décadas. Terminado o século XX, chegamos ao século XXI (é, o mundo não acabou e não vejo nenhum carro voador) e, exatamente neste momento, já se vive o começo dos anos 10. Uma década inteira do novo século se foi e uma das perguntas que ficam é: O que os anos 00 trouxeram de novo à música ou Quais os estilos que marcaram a década?
      Essa é uma questão delicada, mas pode se resumir numa simples resposta: Não trouxe muito de novo não.
      Tivemos bandas de Rock Alternativo. Rock Alternativo esse que foi o mais próximo do rock que as "novidades" dos anos 00 puderam trazer. Um rock nada pesado, simples e sem grandes inovações. Não que o som não fosse bom, gostoso de ouvir, mas não foi nada que ninguém nunca tenha feito antes, mesmo que em outro contexto. O que foi uma decepção, uma vez que os roqueiros poderiam abusar das belezinhas produzidas no passado, se apegar a referências e a partir delas trazer algo novo. Há muito material desse século que se foi para ser trabalhado e repensado. Mas não, todas essas bandas soaram muito parecidas umas com as outras, tocando algo simples e já obsoleto, já arcaico.
     Na música pop,  essa década começou com a adoração da garotada às supostas bandas Emo, suposta vertente do rock. Músicas deprimentes, misturando Pop Rock, Baladas Românticas e um pouco de hardcore. Esse Emo que tanto fez sucesso não foi o Hardcore emotivo préexistente, mas muitooo pior, sendo uma versão mais pop, mais superficial e, ao desenrolar de sua popularidade, mais batida! A febre foi tanta que chegamos a ter bandas emo no Brasil! Destacam-se ainda as melosas músicas, a black music que raramentre questiona alguma coisa, com minas muito gatas e "rappers" com cara de mal sem nada em comum cantando juntos, seguidores da fórmula Britney Spears, bandas que eram de rock cada vez mais pop... Nada musicalmente relevante. 

        Em meio a essa mesmice, houve certas experimentações, um caso ou outro de tentativa de buscar o novo em cima de influências diferenciadas. Como o White Stripes, a dupla com músicas que bebiam tanto do blues quanto do punk. O Mars Volta...influenciados por jazz, progressivo, punk, com músicas de durações muuuito variadas. Entre outras, raras excessões em meio a mesmice musical da década..
                 É, essa década foi fraca. Se criou e recriou tanto no século XX, mas, por alguma razão a geração XXI parece querer parar no tempo. Mas é claro que existem muitas bandas da atualidade escondidas por trás da divulgação midiática, meu conselho é ir atrás das excessões, ir atrás do underground, deve ter muita coisa louca por aí...e, claro, pra quem estiver disposto, levantar a bunda da cadeira e ir fazer música. Se quem está aí não quer inovar, vamos nós lá tentar reinventar a música! Vale a pena tentar...imagine ser o próximo Ícone do Rock! Uma boa, hein? rss
     

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

o começo do fim da passividade do consumidor

     De uns tempos pra cá, apenas ver TV, ouvir rádio ou ler jornais perdeu a graça. Simplesmente observar estaticamente e absorver conteúdo não é mais suficiente para nós, cidadãos da pós-modernidade! Com o desenfreado desenvolvimento da tecnologia e o crescimento constante da facilidade de se obter informação, a relação entre consumidores e a indústria de entretenimento vem mudando de forma. A interação entre mídias e pessoas só tem ganhado espaço, uma vez em que há a possibilidade de se divulgar filmes caseiros e outras criações amadoras de quem tem pouca grana. Os meios de comunicação deixam de ser controlados pelas grandes empresas, trazendo à tona obras de "pessoas comuns" a grande público.
     Essa falta de controle dos consumidores agora criadores aflige grande parte das grandes empresas, já que seu poder de provedora do entretenimento é limitado por esses novos provedores, que podem ser qualquer um com um computador e uma câmera de celular na mão. Por isso, muitas empresas acabam por tomar medidas proibicionistas, limitando e restringindo a liberdade dos indivíduos quanto à produção de determinados materiais.
       Por outro lado, outras empresas vêm apoiando essa liberdade, buscando usar do que produz o consumidor para divulgar as suas respectivas marcas. Estratégia bastante inteligente, apesar de complexa.  Conseguir ter sua marca divulgada e chamar a atenção dos que consomem em meio o turbilhão de informações que vivemos hoje é uma árdua tarefa.  Usar dos produtores amadores de informação para tanto é uma boa sacada, mas também de difícil execução.
      O fato é que é interessante como essa nova dinâmica gradativamente quebra em parte com a alienação dos antes meros expectadores. A expressão de opinião, diferentes pontos de vista, discussões e o acesso a diversas formas alternativas de arte é algo revolucionário, no momento que amplia a cabeça das pessoas para uma gama muito maior de conhecimento a cerca do mundo em que vivemos.
       Resta a nós começar a participar, contribuindo com nossas próprias formas de expressão, ajudando na reversão do cenário antes vigente. Vamos lá, todos podem mostrar o que tiverem a mostrar pro mundo!